Bons níveis de SST são um bom negócio

Benefits of OSH. Worker checking a document with statistics

©EU-OSHA/Rudyanto Wijaya

Em tempos difíceis do ponto de vista económico, importa ter presente que uma segurança e saúde no trabalho deficiente custa dinheiro. Mais ainda, diversos estudos de caso mostram que existe uma relação direta entre uma boa gestão da SST na empresa e a melhoria do desempenho e da rentabilidade.

Todos ficam a perder quando a SST é negligenciada, desde os trabalhadores a nível individual até aos sistemas nacionais de saúde. Contudo, isto significa que todos podem beneficiar de melhores políticas e práticas.

Os países que possuem sistemas deficientes de segurança e saúde no trabalho acabam por despender recursos consideráveis com lesões e doenças evitáveis. Uma estratégia nacional forte gera inúmeros benefícios, tais como:

  • Mais produtividade graças a menos tempo de ausência por motivo de doença
  • Menos despesas de saúde
  • Manter no ativo os trabalhadores mais velhos
  • Promover tecnologias e métodos de trabalho mais eficientes
  • Reduzir o número de pessoas obrigadas a reduzir as suas horas de trabalho para tomar conta de um familiar

Custos de lesões, doenças e mortes relacionadas com o trabalho

Quais são os impactos económicos de uma boa ou de uma má gestão da SST? É crucial que os decisores políticos, os investigadores e os intermediários entendam a resposta a esta pergunta, mas isso exige dados de boa qualidade. A EU-OSHA visa, assim, atender a essa necessidade com o seu projeto geral em duas fases «Custos e benefícios da segurança e saúde no trabalho», o qual tem como objetivo desenvolver um modelo económico de cálculo de custos com vista a estabelecer estimativas fiáveis dos custos.

Fase 1: estudo em grande escala destinado a identificar e avaliar os dados disponíveis em cada Estado-Membro e que podem ser usados para desenvolver um modelo de cálculo de custos.

Resultado: um relatório de síntese Estimar os custos dos acidentes e problemas de saúde relacionados com o trabalho: uma análise das fontes de dados europeias (2017).

Fase 2a: produzir um modelo de estimativa de custos baseado em dados internacionais disponíveis, em colaboração com a Organização Internacional do Trabalho, a Comissão Internacional de Saúde no Trabalho, e instituições da Finlândia e de Singapura.

Resultado: uma ferramenta de visualização de dados que apresente as conclusões do modelo de estimativa de custos (2017).

As lesões, doenças e mortes relacionadas com o trabalho resultam em elevados custos económicos para indivíduos, empregadores, estado e sociedade. Os efeitos negativos da má gestão da SST incluem reformas antecipadas onerosas, a perda de pessoal qualificado, absentismo e presentismo (quando os trabalhadores vão trabalhar doentes, aumentando a probabilidade de erros), bem como custos médicos e prémios de seguros elevados. Estima-se que o custo societal das lesões e doenças relacionadas com o trabalho represente 3,9 % do PIB mundial e 3,3 % do PIB da UE (ver visualização de dados). A percentagem varia amplamente entre países, em particular entre os países ocidentais e não ocidentais, dependendo das características da indústria, do contexto legislativo e dos incentivos à prevenção.

Fase 2b: desenvolver um modelo económico de cálculo de custos mais sofisticado com base em fontes de dados nacionais.

Resultado:

As lesões, doenças e mortes estão associadas a vários tipos de custos. Em primeiro lugar, existem custos diretos, como os custos dos cuidados de saúde. Há também custos resultantes das perdas de produtividade e da redução da produção. Depois há custos associados ao impacto no bem-estar humano — ou seja, o impacto na vida e na saúde das pessoas — que podem ser quantificados e incluídos numa estimativa dos encargos. Estes elementos estão presentes em todos os casos de lesões ou doenças relacionadas com o trabalho, pelo que a soma dos custos de todos os casos produziria uma estimativa do encargo total das lesões e doenças. Esta forma de chegar a uma estimativa de custos, ou seja, somando os diversos custos acima mencionados para produzir uma estimativa dos custos totais, é frequentemente conhecida como abordagem ascendente.

Também se pode seguir uma abordagem descendente: os custos totais são estimados calculando o encargo total das lesões e das doenças, e estimando a parte deste total que se deve a fatores profissionais. É então possível estimar os custos associados ao encargo das lesões e doenças profissionais. Estes custos são frequentemente expressos em termos de medidas de saúde existentes, tais como anos de vida ajustados pela incapacidade (AVAI).

No projeto atual, ambas as abordagens são seguidas:

  • Um modelo ascendente tendo em conta os custos diretos, os custos indiretos e os custos intangíveis (efeitos na qualidade de vida e na saúde);
  • Um modelo descendente baseado no valor monetário dos AVAI relacionados com o trabalho.

Na recolha de dados para ambos os modelos, tomou-se 2015 como o ano de referência para permitir comparações entre países e entre as abordagens.

 Apresentação do modelo de custos SST em Slideshare

As vantagens para o negócio

Uma segurança e saúde no trabalho deficiente custa dinheiro às empresas, mas um bom nível de SST traz vantagens. As empresas com padrões mais elevados em matéria de segurança e saúde no trabalho são mais bem-sucedidas e mais sustentáveis.

Diversos estudos mostram que, por cada euro investido em SST, existe um retorno de 2,2 euros , e que a relação custo-benefício do reforço da segurança e da saúde no trabalho é favorável.

Os benefícios económicos para as empresas, tanto grandes como pequenas, de uma boa SST são significativos. Para dar apenas alguns exemplos, uma boa segurança e saúde no trabalho:

  • Aumenta a produtividade dos trabalhadores
  • Reduz o absentismo
  • Reduz as indemnizações
  • Cumpre os requisitos dos contratantes dos setores tanto público como privado

Tomar medidas nesta matéria pode trazer benefícios significativos para a sua empresa. Saiba mais sobre a introdução de melhorias e a gestão de riscos aqui .

Incentivos económicos

Foram criados sistemas em toda a Europa destinados a premiar financeiramente as organizações pela qualidade da SST. Neles se incluem:

  • Prémios de seguros mais baixos
  • Benefícios fiscais
  • Subsídios e auxílios estatais

Um bom exemplo é o do setor do abate na Alemanha. As empresas participantes viam os seus prémios de seguros reduzidos se promovessem a segurança, por exemplo, com a compra de facas seguras ou disponibilizando formação aos motoristas em matéria de segurança.

O sistema resultou em:

  • Menos 1000 acidentes por ano a declarar no setor na Alemanha
  • Redução dos custos avaliada em 40 milhões de euros em 6 anos
  • Poupança de 4,81 euros por cada euro investido

Para as seguradoras, a oferta destes sistemas pode ajudar a reduzir o número, a gravidade e o custo de regulação dos sinistros.

Saiba mais sobre incentivos económicos e como podem ser apresentados: