Qual é a melhor forma de apoiar os sobreviventes de cancro a regressarem ao trabalho?
Para assinalar a Semana Europeia contra o Cancro, de 25 a 31 de maio de 2018, a Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho (EU-OSHA) publica as recentes conclusões do seu projeto que explora as implicações do cancro para os trabalhadores e para os locais de trabalho na Europa. As publicações identificam instrumentos, práticas, políticas e intervenções que podem promover a reabilitação e o regresso ao trabalho bem-sucedidos de sobreviventes de cancro.
Na Europa, cerca de 1,4 milhões de pessoas em idade ativa são diagnosticadas todos os anos com cancro. Embora muitas destas pessoas tenham capacidade para continuar a trabalhar, a taxa média de regresso ao trabalho é apenas de 64 % após 18 meses e a probabilidade de os sobreviventes de cancro ficarem desempregados é 1,4 vezes superior e três vezes superior no que se refere ao recebimento de prestações de invalidez.
«Para além dos efeitos negativos do desemprego no bem-estar e nos rendimentos de um indivíduo, esta situação tem consequências económicas graves para as empresas e para a sociedade em geral», afirma a diretora executiva da EU-OSHA, Christa Sedlatschek. «Na realidade, estima-se que, em 2009, os dias de trabalho perdidos devido ao cancro tenham custado 9,5 mil milhões de EUR à União Europeia. Por conseguinte, é essencial que as empresas implementem estratégias eficazes para ajudar os trabalhadores a regressarem ao trabalho após o diagnóstico de cancro.»
Através do projeto «Reabilitação e regresso ao trabalho após o cancro — instrumentos e práticas», a EU-OSHA pretende sensibilizar para os problemas enfrentados por trabalhadores com cancro e desenvolver diretrizes para os empregadores sobre a forma de os ajudar aquando do regresso ao trabalho.
Os sobreviventes de cancro sofrem frequentemente de problemas como depressão e ansiedade, assim como de problemas físicos, especialmente fadiga. Estes problemas de saúde podem reduzir a sua capacidade para trabalhar e podem ser associados a atitudes negativas entre colegas. Provas científicas sugerem que as intervenções multidisciplinares que envolvem, por exemplo, uma combinação de medidas físicas e vocacionais e aconselhamento podem ajudar a um regresso ao trabalho bem-sucedido.
Exemplos de boas práticas
Como parte do projeto, foram identificados e analisados pormenorizadamente sete exemplos de boas práticas de cinco Estados-Membros da UE. Demonstraram várias abordagens para ajudar os sobreviventes a regressarem ao trabalho.
O programa «Working through cancer» levado o cabo pela Macmillan Cancer Support no Reino Unido é um exemplo de uma intervenção particularmente inovadora. Este programa abrangente oferece vários recursos — desde informações em linha e módulos aprendizagem por via eletrónica (e-learning) a apoio por telefone e cursos de formação em empresas — adaptados especificamente às necessidades dos trabalhadores e das suas famílias, empregadores, gestores de RH e profissionais de saúde. Um dos objetivos do programa é garantir que os empregadores percebem os benefícios de ajudar de forma ativa os trabalhadores a regressarem ao trabalho após o tratamento.
São feitas várias recomendações na sequência dos fatores de sucesso identificados neste projeto:
- Deve ser desenvolvida legislação que obrigue todas as empresas a oferecerem programas de regresso ao trabalho para trabalhadores e deve ser prestado apoio a esta iniciativa, em especial para as PME.
- A rápida implementação e uma boa comunicação entre todas as partes interessadas é fundamental para intervenções eficazes de regresso ao trabalho e os programas devem ser adaptados às necessidades dos trabalhadores.
- Os programas de regresso ao trabalho devem ser integrados nas políticas das empresas e devem ser alocados tempo e recursos suficientes para o fornecimento de informações sobre cancro e regresso ao trabalho.
- Devem ser envidados esforços para encorajar atitudes positivas no local de trabalho para com as pessoas que regressam ao trabalho após o cancro.
Hiperligações:
- Ler o novo relatório sobre instrumentos e práticas (resumo também disponível)
- Consultar a revisão da literatura (resumo disponível em vários idiomas)
- Estão disponíveis duas apresentações em PowerPoint: uma para especialistas em saúde e segurança no trabalho e outra para o público em geral
- Consultar o folheto informativo
A Semana Europeia contra o Cancro é uma campanha anual que decorre de 25 a 31 de maio sob a liderança da Associação das Ligas Europeias Contra o Cancro. Tem por objetivo sensibilizar sobre a prevenção do cancro, o acesso a tratamento e o apoio a sobreviventes.
A Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (EU-OSHA) contribui para tornar os locais de trabalho na Europa mais seguros, mais saudáveis e mais produtivos. A Agência investiga, desenvolve e distribui informação fidedigna, equilibrada e imparcial em matéria de segurança e saúde e organiza campanhas de sensibilização em toda a Europa. Criada pela União Europeia em 1994 e sediada na cidade espanhola de Bilbau, a Agência reúne representantes da Comissão Europeia, dos governos dos Estados‑Membros e de organizações de empregadores e de trabalhadores, bem como destacados peritos de cada um dos Estados‑Membros da UE e de outros países.
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